“Ser mais ágil” significa basicamente diminuir o tempo de entrega de business value sem afetar a qualidade do que está sendo entregue e sem afetar a capacidade da equipe de continuar entregando com a mesma qualidade no futuro.
Esse é o tipo de pensamento apregoado pelo Lean Software Development. As idéias do Lean podem efetivamente dar um toque a mais de agilidade em projetos ágeis já consolidados.
Um dos princípios fundamentais do Lean é questão da identificação e eliminação do desperdício. Dentre os desperdícios mais comuns (mesmo em projetos ágeis) está aquele em que se mantém “software pronto não entregue”. É muito comum hoje em projetos ágeis se esperar até o fim de uma iteração para se entregar aquilo que foi produzido durante toda a iteração. Ou seja, um incremento do produto só ocorre ao final da iteração onde ele é construído.
Em um processo ágil, um incremento não necessariamente ocorre apenas ao final da iteração. Ele pode sim ocorrer à medida que business value é gerado pela equipe de desenvolvimento.
Um outro ponto é que gerar um incremento não necessariamente significa colocar o software em produção, mas, no mínimo, colocá-lo na máquina de quem vai usá-lo. Em outras palavras, estimular o feedback imediato.
Um dos problemas que equipe ágeis que estão começando enfrentam é o que eu costumo chamar de “Síndrome da Iteração Inacabada”. Quando você deixa para entregar todo o software que você produziu apenas no final da iteração, todo o feedback do seu cliente vai aparecer apenas na iteração seguinte, o que não é uma coisa boa, já que você já tem outras funcionalidades para produzir. Assim, a iteração n+1 sempre é afetada por solicitações de mudança geradas pelo feedback do cliente quando este começou a usar o software entregue ao fim da iteração n. Seu planejamento e seu potencial de entrega acabam ficando comprometidos.
O fato de não se vincular o incremento do produto ao fim de uma iteração é certamente um modo de evitar este tipo de problema, reduzir desperdício e conseqüentemente “ser mais ágil”.
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