Linking Lean & Agile

by alisson.vale 1/16/2009 11:06:00 PM

Lean has a lot to teach for Agile practicioners. And Agile has a lot to contribute for who wants to apply Lean.

Look at this enlightening post which makes this relation more clear:

http://dnicolet1.tripod.com/agile/index.blog?entry_id=1874091

 

O Dilema Ágil

by alisson.vale 11/15/2008 11:25:00 AM

Hoje vive-se o dilema de encontrar o limite adequado entre o craft e o lean. Quanto do processo de software deve ser "criação" e quanto deve ser "produção". O quanto ele deve ter de "artesanal" ou de "industrial". Hoje há dois extremos em agile. E é difícil saber onde se posicionar entre eles.

Talvez seja isso que torne o paradigma tão forte conceitualmente. Software precisa de qualidade e excelência (craft), mas também precisa de gestão, números e tendências (lean)... quanto é necessário de cada um para compor um bom projeto de software? Como nivelá-los de acordo com a situação e com o cenário em que se atua?

Por outro lado, há um outro fenômeno interessante. Muitos querem usar Agile, e não é fácil em muitos cenários. Enquanto uma parte das pessoas tenta proteger o novo paradigma de conceitos atrelados ao velho, outros tentam adaptá-lo a esses conceitos para que possam entrar no circuito ou expandir sua influência na indústria como um todo. Algumas vezes para dar respostas a nichos de mercado que não querem assumir o risco ou não tem certeza sobre os efeitos gerados por uma mudança tão brusca. É por isso que quando, por exemplo, a palavra CMM se junta à palavra Ágil em algum momento, a internet recebe uma enxurrada de e-mails, posts, etc com opiniões contra e a favor. O interessante que tanto quem é contra quanto quem é a favor clama por defender ou se beneficiar dos mesmos princípios. Mais uma vez, o que é certo? o que é errado? Talvez não se ter certeza sobre o que é certo e o que é errado seja a nossa principal qualidade como comunidade.

O que se vê nesse momento é que o fato de Agile ter sido criado em cima de valores e princípios, e o fato de ele ser representado principalmente por comunidades virtuais, o torna mais poderoso do que se pensa. Hoje não há ninguém que controle Agile. Nenhum dos autores do manifesto, ou mesmo um pequeno grupo deles, pode, isoladamente, controlá-lo. É um movimento de vida própria. E ele vem conseguindo oferecer as peças que precisamos para o quebra-cabeças que é desenvolver software. E o que o mantém assim é o equilíbrio gerado pela existência de diferentes abordagens e soluções para um número ilimitado de realidades e cenários de negócio que temos por aí.

O Movimento Ágil é hoje um Sistema Adaptativo Complexo, como descrito pelo Highsmith. Ele começa a atuar sob regras que o fazem assumir "Comportamentos Complexos", onde "Complex Behaviour = Simple Rules + Rich Relationships". Em outras palavras, a comunidade hoje funciona assumindo os mesmos comportamentos esperados em projetos Ágeis de software: emergência, adaptabilidade e colaboração, tudo isso sob a proteção de quatro regras simples.

Em resumo, o que faz Agile hoje ser tão poderoso são as polêmicas, as discordâncias. Elas mantém o paradigma atrelado ao bom senso. Nenhum dos lados deixa o modelo estável. Há dois extremos, e é a experiência e o estudo de cada um de nós que nos ajudará a localizar o ponto ideal entre eles. Nesse momento, a única certeza que se tem é que nenhum dos dois extremos é o melhor lugar para se posicionar.


Pressupostos

by alisson.vale 6/21/2008 12:35:00 PM

Pressupostos são hipóteses que precisamos admitir antecipamente para que possamos aceitar ou compreender as teorias que delas decorrem. Eles são o ponto de partida para justificar as abordagens adotadas. Para optar entre uma ou outra linha de pensamento é necessário antes de mais nada estabelecer concordância com eles.

Quando comparamos o modelo Ágil com o Waterfall eu acredito em quatro pressupostos básicos sobre a qual precisamos nos posicionar antes de partir para uma ou outra abordagem.

São eles:

  Waterfall Agile
Sobre a natureza das atividades de desenvolvimento de software
Produção taylorista
Criação colaborativa
Sobre o modelo de qualidade Seguir especificações Satisfazer usuários e clientes
Sobre a forma de organizar as pessoas Grupos de Trabalho Times de Projeto
Sobre o modelo de gestão Gestão de escopo fixo Gestão de escopo variável

Afinal, software deve ser produzido de modo fabril ou criado colaborativamente? Para ter qualidade ele deverá seguir rigidamente especificações pré-acordadas ou ser capaz de satisfazer os anseios e necessidades de usuários e clientes? Como devemos organizar as pessoas? Por meio de um grupo de trabalho com tarefas pré-definidas em um processo controlado? ou criando times de projeto com liberdade para definir e otimizar o seu próprio modelo de trabalho?

Talvez a pior escolha, nesse caso, seja não fazer uma escolha. O modelo teórico que vai embasar as suas práticas de trabalho será decorrente dessa escolha. Há uma conexão direta entre esses pressupostos, os princípios que lhe endereçam, e aquilo que precisamos praticar no dia-a-dia para implantá-los. Quando não há rigidez na escolha do conjunto adequado de pressupostos, o modelo teórico adotado se enfraquece, as práticas anulam-se umas às outras e os riscos de insucesso aumentam.

Contando a História de uma Iteração com um Relatório A3

by alisson.vale 4/12/2008 10:59:00 PM
Documentação é importante em qualquer projeto. Aqueles que alegam que projetos ágeis não são bem documentados quase sempre caem no engano de misturar dois propósitos distintos para documentação de projeto. Um deles é o do registro puro e simples de algo que um dia pode ser útil para alguém, mas que quase sempre não é. O segundo envolve gerar documentação como resultado de um processo que mistura atividades de colaboração e comunicação e gera algo que contribui para o aumento da qualidade do produto em desenvolvimento. Os Testes de aceitação são um exemplo clássico. O cliente e o desenvolvedor utilizam esse instrumento em um processo de colaboração para encontrar os cenários que precisarão ser previstos durante a implementação da funcionalidade. Ao mesmo tempo, o teste é utilizado para que um comunique suas idéias para o outro, fazendo com que os objetivos sejam unificados, já que há duas visões focadas em diferentes níveis de abstração: a visão do negócio e a visão da implementação. Apesar desse tipo de teste ser uma excelente documentação, isso é apenas uma espécie de efeito-colateral, pois o seu real propósito reside em aumentar a qualidade do processo facilitando os processos de comunicação e colaboração.

O modelo de trabalho da Toyota, que por si só já converge em vários pontos com a abordagem ágil, parece que funciona de maneira semelhante no que diz respeito à documentação. Quem já teve a oportunidade de estudar um pouco o seu processo de solução de problemas sabe como ele é rico em observação, diagnóstico e análise detalhada das questões que influenciam ou são influenciadas por um determinado problema. Mesmo assim, quem espera que a Toyota registre cada passo desse tipo de análise, gerando um grosso relatório a ser utilizado para avalisar as decisões, pode se preparar para rever seus conceitos. Pelo menos é o que diz o best-seller O Modelo Toyota, escrito por Jeffrey Liker e David Meier. Esse livro, que, na minha opinião, deveria estar na cabeceira de todos aqueles que estudam e/ou aplicam o modelo ágil em seus projetos de software, tem um grande número de ensinamentos dos senseis da Toyota que, ou corroboram com as idéias do movimento ágil, ou o expandem em direções inusitadas.

 

  Figura 1: Esboço de relatório A3 adaptado ao contexto ágil

Uma das partes do Manual de Aplicação que me chama a atenção já há bastante tempo é o trecho em que se fala do uso sistemático pela Toyota de relatórios montados em uma folha de papel A3, onde se conta uma história com início, meio e fim de um projeto, de solução de um problema, ou ainda histórias que apresentam marcos de evolução de um projeto. Há vários cenários em que tais relatórios são exigidos e também há toda uma técnica para esboçá-los. 

A técnica possibilita a criação de um relatório capaz não só de documentar as análises e decisões tomadas em um projeto, mas também amplia a capacidade de comunicar seu conteúdo mais eficientemente, além de permitir a colaboração de todo um grupo de pessoas para produzi-lo. O fato de ele estar limitado à parte da frente de uma folha de papel A3 o torna grande o suficiente para conter as informações mais essenciais e pequeno o suficiente para evitar que ele contenha todo aquele detalhamento que afasta o leitor e atrapalha o processo de comunicação. Um relatório desses deve poder contar toda sua história em menos de 5 minutos. Há basicamente quatro tipos de histórias que podem ser contadas por meio de relatórios A3 na Toyota:

  • História de uma proposta;
  • História da Solução de um Problema;
  • História da Situação de um Projeto;
  • História de Informações;

Todos eles podem ser facilmente utilizados em um qualquer projeto, Ágil ou não. Mas há dois deles que realmente podem ser muito bem aproveitados no modelo ágil: um relatório que conta a história da solução de um problema e o que conta a história da situação de um projeto. O primeiro pode ser mais um dos instrumentos disponíveis para inpeção e adaptação de projeto ágeis. Na verdade, o relatório é apenas um dos elementos de toda uma metodologia para solução de problemas (eu falo um pouco dessa metodologia em uma série de dois artigos que escrevi para a Revista Visão Ágil sobre aperfeiçoamento de projetos ágeis). Já o segundo tipo de história (aquela que descreve a situação de um projeto), também me chamou a atenção, mas dessa vez por um motivo diferente: talvez esse seja um bom instrumento para contarmos a história de uma iteração para stakeholders ou outros personagens que não participam do seu dia-a-dia e que precisam rapidamente estar informados sobre o seu andamento.

Pensando nisso eu criei um esboço simplório do que poderia ser a história de uma iteração contada por meio de um relatório A3. Uma imagem ampliada desse esboço pode ser obtida clicando aqui.  À partir desse ponto é interessante ler o restante do post com o relatório aberto para facilitar o entendimento.

A primeira coisa que se deve ter em mente ao produzir um relatório desse, é que ele deve contar uma história concisa e sem desvios. Um relatório de situação de projeto (ou relatório de status) é diagramado horizontalmente. A frente da página é dividida em duas partes iguais. O verso normalmente não é utilizado. Dentro dessas duas partes, são criadas 5 seções que receberão o conteúdo do relatório.  O tamanho de cada seção e o seu conteúdo vai depender do enfoque da história que está sendo contada. A primeira seção é o Histórico do Projeto até então. É nesse momento que você situa o leitor descrevendo a exata situação do projeto até o momento imediatamente anterior ao início da iteração. Como estava o projeto antes da iteração começar? Estabeleça o foco em números e utilize gráficos para mostrar tendências. Ao invés de textos com frases corridas, crie enumerações com frases simples. Utilize setas para guiar o leitor pelas informações disponibilizadas.

O  segundo passo é indicar quais foram os objetivos da iteração. Você pode, opcionalmente, contar a história sobre como estes objetivos foram estabelecidos. Um backlog com uma análise de custo-benefício pode servir para este propósito. Nesta seção deve-se ser claro quanto a esses objetivos. Ou seja, ao invés de "Melhorar a cobertura de testes unitários", utilize "Alcançar 85% de cobertura nos testes unitários". Se este for um dos seus objetivos, você deve indicar em que número esta cobertura estava na seção Histórico do Projeto para depois indicar qual foi o resultado alcançado nas seções seguintes. Lembre-se que a história deve ter início, meio e fim. Repare que eu adicionei todo o backlog do projeto ao documento. Pude fazer isso, porque o projeto é pequeno. Em projetos maiores você pode se concentrar em colocar a história da iteração no contexto de um tema ou de uma release. Assim, o escopo ficará reduzido o suficiente para ilustrar seu objetivo mais imediato.

Uma vez esclarecidos os objetivos, podemos entrar nos detalhes de o quê foi implementado para alcançá-los. Aqui vale informar as ações ou os critérios utilizados e quais métricas ou informações foram coletadas de forma que possamos constatar a relação do trabalho realizado com os objetivos estipulados.

Finalmente, as duas seções finais descrevem o resultado alcançado, os problemas e as ações de melhoria propostas. As informações sobre problemas e melhorias propostas podem vir das retrospectivas e devem de alguma forma apresentar elementos que descrevam problemas que ou atrapalharam a execução do trabalho ou o impediram. 

Vamos ver então como a história dessa iteração poderia ser contada em menos de 5 minutos:

"Na parte superior esquerda nós podemos visualizar a síntese de progresso do projeto. Após 4 iterações terem se passado, podemos ver que funcionalidades têm sido desenvolvidas a uma taxa de 8 a 11 pontos por iteração. Até o momento foram desenvolvidos 39 pontos, o que representa 34% do total. A velocidade da equipe, que antes era de 8 pontos por iteração, agora está na média de 9,75, o que indica uma aceleração de 17% quando comparada ao início do projeto. Esse quadro de progresso nos oferece três possibilidades de projeção para o fim do projeto. A projeção mais otimista leva em conta a maior velocidade alcançada até agora, a mais pessimista leva em conta a menor velocidade e uma terceira visão mais realista considera a média de velocidade das últimas 4 iterações. Assim, nosso marco final, no momento anterior ao início dessa iteração, estava previsto para ser alcançado provavelmente entre 7 e 11 semanas.

Ao iniciar a Iteração #5, uma análise de custo-benefício foi feita de forma a selecionar aquelas funcionalidades que teriam maior relevância para implementação imediata. Três histórias foram selecionadas e o comprometimento para o seu desenvolvimento foi estabelecido. Em termos numéricos, apenas mantivemos o índice de entrega alcançado na iteração anterior: 11 SPs.

A implementação das três histórias foi realizada dentro do prazo da iteração. Testes de aceitação, de integração e testes unitários automatizados foram criados para todas elas. Houve uma variação para baixo indesejável no nível de cobertura dos testes unitários, o que deixou a equipe alerta para trabalhar na direção de elevar esse índice novamente na próxima iteração. As variações nas métricas de design não revelaram nenhuma anormalidade.

Com a implementação das três novas histórias, o projeto avançou em mais 10 pontos percentuais chegando aos 44% de completude. As Projeções de término agora estão variando entre 5,2 semanas (cenário mais otimista) e 7,8 semanas (mais pessimista). 

A iteração apresentou um aumento significativo no percentual de tempo alocado em atividades que não geram valor. Esse desperdício que já fora de 17% na iteração anterior, alcançou o patamar de 27% nessa iteração. Um aumento nominal de 10%.  A análise realizada na retrospectiva revelou uma grande quantidade de tempo investida em atividades de instalação e configuração de infra-estrutura de deploy, o que nos fez propor um plano para automatizar essas atividades e, dessa forma, voltar a reduzir esse nível de desperdício para que mais tempo possa ser alocado em atividades que gerem progresso no projeto."

Esse exemplo é totalmente fictício, claro. Mas dá uma idéia do que é ser capaz de apresentar o trabalho de toda uma iteração em menos de 5 minutos, concentrando-se nos pontos essencialmente relevantes para a audiência do relatório. Obviamente, os gráficos, números e métricas podem ser dos mais diversos tipos e podem apresentar as mais diversas informações. O importante é manter o foco no aspecto da comunicação, preocupando-se em ser sucinto e objetivo , sem poluir ou sobrecarregar com dados sem conexão com o que se deseja apresentar.  

Artigo Publicado na Revista Visão Ágil

by alisson.vale 1/28/2008 7:03:00 PM

Recentemente foi publicada a 3ª Edição da Revista Visão Ágil que contou com um artigo meu intitulado "Aperfeiçoamento de Projetos Ágeis - Uma Visão Sistêmica".

O artigo foi dividido em duas partes. Nessa primeira parte, eu falo um pouco sobre os aspectos teóricos que circundam o processo de aperfeiçoamento contínuo que se estabelece em um projeto ágil. Na segunda parte, falarei sobre formas e modelos de aperfeiçoamento para uso na prática.

Alguns trechos do artigo que acho serem importantes para discussões sobre o tema:

    - Sobre o ciclo Especulação, Colaboração e Aprendizado do Jim HighSmith no contexto do auto-aperfeiçoamento. 

"No contexto do aperfeiçoamento contínuo, a percepção adequada desse entendimento gira em torno de  saber que para ter um processo que seja melhor hoje do que ontem, é necessário (1) especular sobre algo que precisa ser melhorado  (2) colaborar para que tal melhoria seja alcançada e (3) aprender e incorporar a melhoria conquistada."

- No fundo...

"...o processo de melhoria contínua gira em torno de, dentre outras coisas, buscar melhores maneiras de (1) aumentar  a quantidade do tempo em que a equipe está envolvida com atividades que geram valor para o cliente por meio de software funcional; e (2) de aumentar a qualidade do tempo em que a equipe está envolvida com atividades que visem garantir as condições de segurança, estabilidade funcional, compreensibilidade e manutenibilidade do software que está sendo desenvolvido."

     - O PDCA e seu padrão sistêmico

"Em projetos ágeis, é o padrão sistêmico de adaptação e aperfeiçoamento que faz a equipe controlar o processo, evitando que o processo controle a equipe.  Entender o ciclo PDCA e identificar seu funcionamento dentro do projeto é fundamental, pois ele estabelece esse padrão sistêmico cujo resultado é a incorporação de pequenos elementos de controle sobre a complexidade do projeto. É o padrão que garantirá a sustentabilidade do projeto a longo prazo."

- O entendimento da Toyota

"A Toyota (...) enxerga o rendimento de um sistema (no nosso caso de um projeto) segundo uma rede complexa de influência dos chamados “elementos de avaliação primários” (...) Em seu modelo de melhoria contínua (o kaizen), toda e qualquer ação de resolução de problemas é executada por meio do entendimento de suas influências nos elementos de avaliação primários."

 - A relação entre qualidade e aperfeiçoamento contínuo

"A qualidade é como um fluido que deve ser colocado para lubrificar cada engrenagem do processo. Uma engrenagem sem o fluido será um potencial ponto gerador de defeitos." 

 Ao fim do artigo, eu tento descrever um cenário real onde o entendimento sistêmico poderia criar um diferencial na hora de se colocar em prática questões de aperfeiçoamento. Mas aí é melhor ler o artigo para saber exatamente do que esse exemplo trata.

 A idéia da segunda parte desse artigo é entrar nos modelos utilizados para auto-aperfeiçoamento atualmente. Descrever práticas de retrospectiva e as práticas utilizadas pela Toyota para fazer essa roda de melhoria contínua girar a favor do projeto.

  Espero que seja útil para aqueles que querem implantar um poderoso ciclo de melhoria contínua em seus projetos. 

Projetos Ágeis e os 12 Pontos de Alavancagem Sistêmica

by alisson.vale 1/10/2008 10:27:00 AM

Já a algum tempo venho estudando um pouco sobre teoria de sistemas e sobre suas influências no modelo ágil para desenvolvimento de software. Especialmente no que diz respeito aos trabalhos do Jim Highsmith e do seu método adaptativo.

Recentemente, durante esse estudo, me deparei com o trabalho de Donella Meadows sobre os 12 pontos de alavancagem sistêmica e vi muita convergência com os princípios e práticas relacionados a abordagem ágil para projetos de software.

Pesquisei um pouco e achei aqui um pequeno texto sobre esse assunto adaptado a área de software, mas achei bastante superficial. Resolvi então juntar alguns textos que tinha escrito sobre análise sistêmica em projetos de software e produzir um artigo.

Espero que seja proveitoso para todos. 

Projetos Ágeis e os 12 Pontos de Alavancagem Sistêmica.pdf (573,53 kb)

O Paradigma Ágil

by alisson.vale 11/6/2007 2:52:00 PM

Como ando recebendo alguns pedidos para envio do material que utilizei na palestra que ministrei no evento JavaBrasil, optei por publicar a apresentação aqui.

O título da palestra foi "O Paradigma Ágil". A apresentação foi baseada em uma compilação do livro de mesmo nome que estou escrevendo e na qual discuto temas teóricos que embasam os conceitos utilizados em projetos ágeis. A idéia do livro é descrever a mudança pela qual as atividades de desenvolvimento de software vêm passando desde o lançamento do Manifesto Ágil sob a ótica da teoria de "Mudanças de Paradigmas" e "Revoluções Científicas" proposta por Thomas Kuhn em 1965.

A teoria de Kuhn descreve o processo de evolução do conhecimento humano não como fator resultante do acúmulo linear de descobertas ao longo do tempo, mas, como é dito no livro "por meio do surgimento de um novo volume de idéias, percepções, circunstâncias intelectuais, possibilidades e estratégias disponíveis para especialistas de uma determinada ciência ou disciplina em um dado momento". Em outras palavras, o conhecimento humano evolui quando uma nova perspectiva pela qual determinado assunto pode ser explicado é teorizada, aplicada e provada empiricamente.

Para explicar como se dá esse mudança no contexto do modelo ágil para desenvolvimento de software, é preciso entender de onde vem cada um dos conceitos sobre a qual o movimento está embasado, como eles se relacionam e o qual o efeito esperado em se juntá-los na direção de formar um novo modelo produtivo mais eficiente.

E é nesse ponto que precisamos ser capazes de tecer toda a teia de conceitos que definem a natureza do movimento. Estamos falando de, entre outras coisas, Qualidade Total, Controle Estatístico de Processos, o Modelo Lean, Sistemas adaptativos complexos, Pensamento Sistêmico e princípios de liderança e gerenciamento modernos que juntos estabelecem a essência do paradigma ágil: a criação de sistemas adaptativos controlados pelas próprias pessoas que o compõe.

Apresentacao_O_Paradigma_Agil.pdf (485,62 kb)

Metas impostas versus aperfeiçoamento sistêmico

by alisson.vale 10/26/2007 1:42:00 AM

Em desenvolvimento ágil, é muito comum as equipes estabelecerem uma espécie de "comprometimento de sangue" com seus clientes em se entregar tudo que foi planejado no início de uma iteração. Pode haver muita boa vontade nisso, mas certamente é uma prática pouco eficiente. Mas porquê é ruim criar um compromisso para entregar o que foi planejado? Quando um compromisso é estabelecido, não cumpri-lo pode resultar em frustração tanto do cliente quando da equipe e de sua liderança. O que ocorre na prática é que não há garantia de que os requisitos planejados no início de uma iteração realmente poderão ser concluídos até o seu final. 

Se a liderança do projeto, ou o cliente, estabelecerem uma relação de cobrança para com a equipe no que diz respeito a entrega ao fim de uma iteração dos requisitos planejados e acordados no seu início, fatores indesejáveis poderão atuar negativamente no processo, entre eles: (1) o aumento de trabalho over-time e do stress no dia-a-dia de trabalho; (2) a equipe começa a super-estimar as features com medo de assumir compromissos irreais (3) a  qualidade pode começar a ser sacrificada; (3) relaxamento na execução das práticas e (4) em um atraso iminente, a equipe começa a evitar o acionamento do cliente para obtenção de feedback (pois isso pode significar mais trabalho para ser entregue no mesmo tempo).

O que fazer então? Sem metas rígidas, como gerar ritmo e obter alguma previsibilidade no projeto? O segredo é não tentar impor controle sobre o processo, mas estudá-lo e observá-lo com o intuito de se ganhar a capacidade de aperfeiçoá-lo sistemicamente. O objetivo é conquistar (e não controlar) o ritmo e a previsibilidade desejada. Se as metas de implementações para a iteração continuamente não são alcançadas, pode ser que:

  • As metas estão sendo mal-definidas (consciente ou inconscientemente). Normalmente devido ao desconhecimento da capacidade real de produção da equipe. Às vezes tenta-se impor metas mais arrojadas para tentar puxar o ritmo da equipe, mas o resultado acaba sendo pior;
  • Os requisitos foram insuficientemente explorados durante a reunião de planejamento. Apesar de não ser uma boa prática detalhar em excesso o que será desenvolvido, é importante conhecer o suficiente sobre o que será desenvolvido, de modo a diminuir a margem de erro nas estimativas. Isso pode ocorrer quando as reuniões de planejamento são rápidas de mais ou muito superficiais;
  • Eventos não planejados (veja "variações especiais" mais a frente no texto) ocorreram durante a iteração diminuindo a capacidade de produção da equipe.

Em todos os 3 casos, a culpa não é da equipe. Não adiantará, portanto, pressioná-la ou influenciá-la para produzir mais. Todo o projeto é um sistema. Sistemas que produzem abaixo do esperado, o fazem devido a causas sistêmicas, não pela existência de um ou mais "culpados".  Todo o sistema tem um rendimento e esse rendimento, segundo Deming, sofrerá de variações causadas por causas comuns ou por causas especiais. Especialmente quando falamos em projetos de software, há variações inerentes ao sistema e há variações especiais  que tornam seu rendimento imprevisível, mas controlável. O ato de medir esse rendimento continuamente gera o controle estatístico necessário para nos dar a condição de prever resultados com muito mais acuracidade do que os planejamentos adivinhatórios e impositivos que estamos acostumados a  ver. Assim, as expectativas devem ser trabalhadas com base em medições e não com base em compromissos irreais.   

Durante o estudo e a observação do sistema da qual faz parte o projeto, será possível detectar variações especiais, removê-las e, assim, otimizar seu rendimento. Quando todas as variações especiais forem removidas, o sistema poderá ser otimizado como um todo e, aí sim, haverá uma melhoria substancial na sua capacidade de avançar com mais velocidade, mantendo o alto nível de qualidade desejado.  Um projeto observado e aperfeiçoado com uma visão sistêmica pode oferecer muito mais controle e previsibilidade do que um projeto gerenciado com metas impostas de cima para baixo. 

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Alisson Vale Alisson Vale
Project Leader at Phidelis Tecnologia.


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